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Produtor deve ficar atento à documentação de perdas para negociar prorrogação de financiamentos rurais

21/11/2025
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As chuvas irregulares, o calor excessivo e outros eventos climáticos extremos causaram impacto em várias regiões do país, trazendo prejuízos à produção agrícola. No Paraná, nas últimas horas rajadas superaram 100 km/he pedras de granizo de 100 gramas afetaram propriedades rurais em diversas regiões do Estado. Lavouras foram danificadas, como também maquinárias e 12 mil quilômetros de estradas rurais estão em condições precárias, segundo a Faep – Federação da Agricultura do Estado do Paraná.
 
As lavouras de soja foram atrasadas com o clima instável, e os produtores terão agora que arcar com o replantio, já que viram lavouras arrasadas. O produtor rural Dirceu Machado, que tem uma propriedade de 80 alqueires no distrito de Guaravera, na cidade de Londrina, no norte do Paraná, viu sua plantação perdida após uma chuva de granizo. O prejuízo estimado é de R$ 500 mil reais. 
 
"Eu perdi 100% da plantação de soja, prejuízo grande. Vamos ter que replantar, corrigir erosão, qualidade da terra com adubos e agrotóxicos para eliminar qualquer problema e termos mais condições de uma boa safra", destaca o produtor.
 
Os volumes persistentes de chuva atrasaram também a colheita de trigo e ameaçaram a qualidade do cereal, com registro de queda nos preços ao produtor de cerca de 0,95% em uma semana e prejuízo médio estimado em 13,8% frente aos custos de produção. E ainda deve causar impacto na safrinha de milho, que vai ter uma semeadura comprometida.
 
Diante desse cenário, cresce a preocupação dos produtores rurais com a capacidade de honrar os compromissos financeiros antes das intempéries.
 
Em situações como essa, os especialistas lembram que é possível negociar junto às instituições financeiras a prorrogação dos vencimentos de financiamentos rurais — desde que o produtor comprove, de forma adequada, a extensão dos danos sofridos. 
 
A legislação e as normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) permitem que bancos e cooperativas avaliem pedidos de prorrogação conforme a nova capacidade de pagamento do produtor, desde que as perdas sejam comprovadas por laudos técnicos, registros de campo e outros documentos oficiais. Por isso, é fundamental que o agricultor mantenha um controle detalhado das ocorrências climáticas e dos impactos sobre a produtividade, reunindo notas fiscais, fotografias e relatórios de assistência técnica que evidenciem o prejuízo.
 
Segundo o advogado Raphael Condado, "a prorrogação é um direito do produtor rural, desde que ele comprove a forma técnica e consistente que as perdas inviabilizaram o cumprimento dos prazos originais. O banco precisa de segurança jurídica para aprovar o pedido, e isso só ocorre com documentação sólida". Ele reforça que a organização das provas deve começar imediatamente após o evento climático: "O produtor deve registrar as ocorrências, buscar laudos de engenheiros agrônomos, boletins meteorológicos e manter contato formal com a instituição financeira. Quanto mais rápido e bem documentado o pedido, maior a chance de sucesso na renegociação."
 
Muitos produtores acabam enfrentando dificuldades justamente por não formalizarem as perdas. "É comum que o agricultor tente negociar de forma verbal ou informal, o que fragiliza o pedido. O ideal é apresentar um dossiê técnico, com dados objetivos e laudos contratados, mostrando que as intempéries afetam diretamente a capacidade de produção e, consequentemente, de pagamento."
 
O cuidado com a formalização é o que pode fazer a diferença entre garantir um novo equilíbrio financeiro ou enfrentar restrições de crédito nas safras futuras.
 
 
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